sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Paradoxo Jovem #20: Cinquenta Tons de Cinza e os perigos da literatura erótica


Olá Caríssimos e caríssimas colegas de Parábolas Geek, tudo bem com vocês?

    Hoje temos nossa coluna semanal do Paradoxo Jovem, onde tentamos falar abertamente sobre temas que dificilmente você vai ouvir ou ler em outro lugar sob uma perspectiva cristã. Nesta semana, vimos um grande barulho referente ao lançamento do trailer do novo filme da trilogia Cinquenta Tons de Cinza, que após o sucesso dos livros entre o publico, em especial o feminino composto por mulheres na casa dos trinta anos de idade, com certeza será mais um sucesso de bilheteria. O que mais chama a minha atenção é o entusiasmo até mesmo de cristãos com relação ao tema abordado pelo livro.

      De maneira geral, o livro trata da relação entre uma jovem inexperiente, tímida, ingênua e sem perspectivas e um empresário multimilionário, sedutor, bonito e que é adepto do sadomasoquismo. Esta frase remete à outra personagem de trilogias, a personagem principal da saga Crepúsculo e sua relação com o vampiro (Não sei o nome dos dois e também não vou dar uma busca no Google porque você sabe o nome). A fórmula destes romances, com requintes de diferentes níveis de erotismo é sempre a mesma. Uma mulher, seja ela jovem ou mais adulta, sem nenhuma perspectiva ou como diríamos com um vida sem "sal nem açúcar" que tem sua vida transformada ao entrar no universo de um homem que tem tudo aquilo que a mídia diz que o homem perfeito deve ter: dinheiro, beleza, sedução, mistério, um lado oculto e segredos a serem desvendados. A partir disso, uma vida medíocre se transforma em uma grande aventura entre o casal incluindo as experiências sexuais entre as partes envolvidas.

     A partir desta fórmula, como podemos explicar o sucesso deste tipo de "literatura"? Para responder a esta pergunta, precisamos entender como funciona o despertar do olhar sexual em ambos os gêneros. Homens são atraídos pelo sentido visual. Por esta razão, qualquer feira automobilística terá modelos estonteantes em roupas provocantes, visando aumentar o valor do produto. A mensagem ridícula, mas eficaz parece ser:

- Compre este carro, e você terá uma mulher como esta com você!

     Comerciais de cerveja, sempre apresentam mulheres bonitas, como se ao beber uma cerveja você estivesse apto a conquistar uma mulher qualquer. Os exemplos são vários, isso sem mencionar a pornografia, presente em todos lugares e com o fácil acesso para qualquer um que tiver acesso à internet. Esta é a armadilha para o homem. Para as mulheres, o sentido a ser despertado é o pensamento. Mulheres em sua maioria, precisam imaginar as coisas para que sejam despertadas. A leitura de literatura erótica, como é o caso deste livro que estamos falando hoje, cumpre este papel.

     Agora voltamos à nossa questão principal: como esta literatura faz tanto sucesso? Em primeiro lugar, os autores destes livros criam personagens femininos insípidos ( sem sabor, nem personalidade ) com isso qualquer mulher pode se identificar com a personagem fictícia. Ao mesmo tempo criam o personagem masculino com todos os elementos exaltados pela sociedade de consumo. Pronto: o polo positivo encontra o negativo e o vínculo está estabelecido, o autor pode escrever quantos livros quiser que venderá milhões de copias, e porquê? Porque a vida que as pessoas têm levado na sociedade está muito longe dos parâmetros que estas fantasias propõem, pois nos relacionamos com pessoas comuns, sem os segredos e sem o glamour que estes personagens possuem, vidas normais não despertam tanto o desejo e a curiosidade. Em um mundo massificado, onde todos usam as mesmas roupas, assistem e fazem as mesmas coisas, o que existe de inovador e autêntico?

     Obras como estas são refúgios para mulheres que tem casamentos muitas vezes medíocres, por culpa do casal que não investe em sua vida íntima que em algum lugar de suas mentes fantasiam com vampiros sedutores ou empresários multibilionários ao invés de sonharem com seus esposos, que há muito tempo deixaram de ser os príncipes encantados dos tempos de namoro. A culpa dentro do casamento neste caso, é de ambos, que permitem que a rotina passe por cima deles como um rolo compressor e deixem de investir na vida a dois, na descoberta e na continuação da descoberta da vida conjugal. Entre as jovens que não são casadas, este tipo de literatura, cria a imagem de um homem que não existe. Isto gera problemas quando os relacionamentos iniciam, pois seres humanos normais não possuem as características desejadas. Isso gera frustração nos namoros pois pessoas normais não serão como o personagem da história, assim como os homens não se casarão com as modelos dos comerciais de cerveja. Em ambos os casos, as fantasias não serão atendidas e o refúgio será o pensamento.

     É importante notar que a cada ano, existe um avanço nos limites que socialmente são aceitos pelo público em geral, a cada ano que passa, práticas consideradas como tabus como o sadomasoquismo que os Cinquenta Tons de qualquer coisa trata, são mais e mais aceitos com normalidade. Cada geração tem sido exposta a mais e mais situações extremas como se fossem naturais e não anomalias comportamentais. Tratamos sobre submissão na última coluna e o que escrevemos nela está muito distante da relação proposta pelo livro.

     O que a Bíblia no diz a este respeito? Sobre o ato de fantasiar situações sexuais com estranhos ou até mesmo conhecidos, Jesus é muito claro:


Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Mateus 5:28


     Não vamos entrar na questão central do livro sobre este tipo de prática, mas gostaria de deixar algumas instruções sobre o relacionamento conjugal segundo a Bíblia. Leia 1 Coríntios capítulo 7:1-9 comigo, para ver as instruções que Paulo deixa para os cristãos no relacionamento conjugal.

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher,mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido.O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido.A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher.Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio.Digo isso como concessão, e não como mandamento.Gostaria que todos os homens fossem como eu; mas cada um tem o seu próprio dom da parte de Deus; um de um modo, outro de outro.Digo, porém, aos solteiros e às viúvas: é bom que permaneçam como eu. Mas, se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo. 1 Co 7:1-9

     O esposo deve amar sua esposa e tratá-la como Cristo tratou a igreja, ou seja, a amou de tal maneira que se entregou por ela. A esposa deve amar o marido como a igreja ama a Cristo, ou seja, realizando tudo o que estiver ao seu alcance para agradar ao seu noivo. Esta visão bíblica de relacionamento se encaixa na narrativa do livro cinquenta qualquer coisa? Então você já tem minha opinião sobre se a leitura dele vale ou não a pena.

     Espere pelo relacionamento verdadeiro, não seja aprisionada por uma visão deturpada de homem! O casamento é uma união sagrada e divina! A obra do inimigo é clara, deturpar aquilo que é sagrado, transformando em algo profano. Homens, não tenham a visão errada da mulher a partir do que seus olhos possam ter visto, mulheres, não fantasiem com personagens fictícios, aguarde o verdadeiro homem que o Senhor colocará em seu caminho e tenha uma vida inteira de felicidade em um casamento com milhares de tons de vida! E seja feliz!

Pastor Eduardo Medeiros

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